Passar por entre as poças de água ou saltar de poça em poça, sem querer, molhando os sapatos e até as meias. Chovia muito ontem. Mas estava decidida tinha de ir ao cinema gastar os cartuchos de energia que me restam e caminhar até ao cinema. Só para ver um filme, comer pipocas e beber um refrigerante – há muito tempo que não abusava destas coisas. Mas até que foi divertido caminhar na chuva com o objectivo de ir ver um filme com um som que me matava os ouvidos e umas imagens que me atrapalhavam os olhos. Havia monstros, havia mortos vivos. Havia muita coisa abalada e destruída por um vírus qualquer- no filme. E havia uma beldade a matar os mortos vivos à procura de respostas e de uma cura para a humanidade. Não sei se é um cliché, não sei se um dia haverá coisa parecida. Mas que vamos no caminho para a autodestruição, isso vamos. Havia sempre alguém que era apanhado, havia sempre desculpa para a protagonista sobreviver. Que sorte, a dela. Como é que uma beldade daquelas podia morrer, não podia. Como o nome do filme indica havia residentes diabólicos no Mundo. E a beldade tinha de nos salvar daqueles monstros manhosos e analfabetos. Para além de bonita era inteligente e mandona. E nas lutas acabava com aquela escumalha toda. Descobriu que tinha sido clonada e que era a mulher que podia ter sido se recuasse no tempo. Confuso? um pouco. O clone encontrou-se com a miúda que foi, com a mulher que é e com a idosa que será ou seria. Perturbador. Como se continua a ter uma vida no presente conhecendo à partida, o futuro. Não sei. Faz-me confusão. Na vida temos de lutar por qualquer coisa. Conhecendo o futuro isso deixa de ser uma conquista, é um facto. E não se pode lutar contra um facto. Ou talvez se possa se existir liberdade de escolha no cruzamento dos caminhos. É que há destinos. É que há coisas fora do nosso alcance e controlo. O filme não foi mau,de qualquer forma mas foi melhor sentir a chuva nos pés, o vento no cabelo e as pessoas a circularem. Resident Evil é um filme sem mariquices nem romances e lamechisses. Mas há quem possa dizer que é um filme muito mau. É uma mulher a lutar contra um determinado fim. Foi por isso mesmo que ontem escolhi este filme. E os monstros, tenho uma colecção deles em casa, que só aparecem à noite com uma condição. Se apagar a luz. Conforme o teu estado de espírito. É que escolhes o que vais ver ou fazer. Seja como for a variação do meu estado de espírito não espanta os monstros, faça o que fizer, só a luz. No cinema apagaram-se as luzes e só via monstros. Outras vezes ,nem por isso. Nem dei por isso.
Távia
Variação entre tristeza, entusiasmo e felicidade. E loucura, e liberdades e dias de sol e dias de chuva e mentiras e verdades e subjecções, objecções,convenções, substâncias, realidades, objectivos, desejos,indiferenças e verbos e substantivos nas frases.