Eu procuro respostas. Acordo com ataque de pânico num lapso de realidade e de coragem. O verso disto tudo já não sei o que seria e por momentos sou nada sendo filha, irmã, sobrinha e neta. Procuro as respostas onde não sei. O meu corpo entra em modo de alerta sabendo que está sozinho noutro planeta e a realidade é que tudo quanto foi dito me deixou a chorar no altar com o noivo a fugir pra se poder tratar porque tudo o que foi dito tornou-se num peso morto nas costas dele, peso a mais que se tornava mais pesado ainda com a convivência das pessoas que não se calam com as barbaridades. Acordo exaltada, amedrontada, receosa. Será que? E se ? Será que nunca mais vou ter ninguém do meu lado? Momentos irrealizáveis é o que se promete. Irresponsabilidades inconsequentes é o que acontece. Mania, perseguição e vantagem. Sinto-me uma espécie de ultraje no feminino e no humano. A blasfémia mais concretizada. A cena do inóspito humanizado pelo que foi entendido. Nada do que foi entendido me leva no sentido da felicidade e da liberdade nada do que foi dito. Um jogo de cintura enfermo. Um acontecimento futebolístico ao mais alto grau de gravidade com golos na própria baliza até dos colegas de equipa. Uma hipérbole e um superlativo, o primeiro daquilo que nunca se diz e o segundo daquilo que classifica o acontecimento. Um momento do mesquinho, doentio e deplorável. Agora acordo no meio da noite com ataques de pânico procurando respostas o tempo todo que estou acordada e como estou acordada, enterrada mas acordada. Tudo o que possa ser dito sobre o que me fizeram diz-me a consciência será sempre um eufemismo nada transcreve e classifica muito menos por palavras tudo o que foi verbalizado sobre mim. Todas as intenções. Procuro respostas que ninguém sabe dar ou preferem ficar quietos no seu canto a denunciar uma coisa que é crime e destrói a vida de qualquer pessoa. Porque acordo todas as noites com ataques de pânico e algo me diz que vou acabar isolada e morrer sozinha. Isto destruiu-me. Procuro respostas onde hoje tudo me diz que nem sequer havia essa necessidade. Procuro respostas e lamentavelmente questiono a razão de agora me quererem atirar ao desalento e à solidão como se não tivessem havido consequências e sequelas.