Do meu ponto de vista

Infortúnios acontecem. A liberdade é inconsciente. A maneira de sobreviver é maior que a condição. Onde existem muros nascem muralhas, onde existem escadas nascem céus e asas. Onde existem muros nascem oportunidades e sequelas da luta e da subida íngreme e pontiaguda das muralhas subjacentes. O que eu percebo, tu não percebes. O que tu entendes, esqueço-me eu de entender. Já nem te quero conhecer. Mas chegou a hora de enfrentar a realidade. Onde tu estás eu estou mais longe. Chegou a hora de enfrentar a vida, não posso ser o que não quero ser, muito menos ser o que tu queres ou preferes que eu seja. Posso ser raiva por dentro e não revelar. Ou revelar de uma forma diferente. E tu ficas sem saber. A dúvida prevalece e enfraquece um sentimento que desvanece. Se me tocares o coração eu dou-te a mão e um pouco de silêncio, daquele que fortalece o espírito e te embaraça no tempo que se despede dos momentos mais felizes. Com vozes, com sons, com liberdades infinitas, momentos em que o silêncio não entrava. Se quiseres eu dou-te o silêncio, posso até ser silêncio e barulho ao mesmo tempo. Seria tudo. Inferno e céu. Água e fogo. Conforto e desconforto. Dor e felicidade. Felicidade da mais pura. Onde se desconhece amargura e entra só ternura que perdura. Passarinho que passaste hoje por mim e até ficaste junto a mim por instantes diz-me porque aconteci? e agora esmoreço, sem dó nem piedade, na solidão da noite e do dia. Vida vazia. Mas eu guardo a ternura para mim para que um dia também aconteças com o meu consentimento. Onde há vida há momentos. Mas não te esqueças, só com o meu consentimento, pássaro cujo nome desconheço. Ou talvez um: nem quero saber já nem me importa, se bem me entendes. Infortúnios acontecem, a certeza de quem não quer ter. O que será que me vai acontecer?

Távia

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