Só me tenho a mim, e um Universo cheio de estrelas que eu não sei para onde me levam. Sei que posso contar comigo quando tenho forças para ultrapassar os meus maiores medos e as minhas maiores fraquezas. Sei que nem comigo posso contar quando me sinto perdida num caminho de desilusões e decepções num vasto e amargo espaço de sentimentos. Estou acompanhada mas estou sozinha. Dão-me casa, mas estou sozinha, comemos juntos, mas estou sozinha, a minha mãe aparece mas continuo sozinha. Das minhas ideias ninguém faz valor, ninguém já se importa em as consertar ou remediar o meu dia a dia. Ninguém interpreta as minhas interpretações e nem ninguém quer saber das minhas desilusões nem do deserto que tive de atravessar. Para chegar a lado nenhum. Só me tenho a mim para me lamentar e para me pedir ajuda. O meu pai, esse que está no céu só me ouve e lamenta, diz-me que nada mais pode fazer. A não ser enxugar as lágrimas e abraçar-me com um manto de energia quente e confortante. Só me tenho a mim. Só eu me compreendo. E mesmo assim….
É normal que o céu fique cinzento. É normal que por vezes o veja avermelhado com um tom rosado nas imediações, porque tudo mudou. A vida é irregular e não tem porquês, simplesmente acontece. A necessidade de compreender algo é quase como uma verdade óbvia que nos prende porque nada há a compreender. As coisas acontecem porque têm de acontecer. Se não for contigo é comigo. Se tiver de existir uma tempestade amanhã, vai existir. Só há a lamentar. O que perdemos. O que não soubemos manter. A realidade subjacente a esse pressuposto de verdades e mentiras da vida nada tem a ver com o que simplesmente acontece porque sim. Não há verdades e mentiras nisto. Há humanidade, há erros e certos. Ou perspectiva do que poderá ser um erro ou não.