É impossível dizer quando é que o homem se apercebeu de que os movimentos dos planetas poderiam ter um efeito sobre todos nós. Sabemos, contudo, que c. 1500 a. C. existiam tabelas que definiam as horas em que os planetas nasciam e se punham e que em 1000 a. C. os astrólogos entendiam que os céus eram um grande círculo em volta do qual esses “seres” giravam.
O efeito do sol sobre a terra é bastante evidente pela luz e calor que fornece, e o da lua é quase igualmente visível. Cria as marés, por exemplo, e influencia plantas e animais simples e o ciclo menstrual. Embora não haja certezas, é razoável supor que esses efeitos foram constatados muito antes do advento da escrita e que, aos poucos, se notaram e estudaram os efeitos mais subtis de outros planetas. Os egípcios e babilónios residiam em planícies vastas onde não haviam montanhas que obstruíssem a visão do hemisfério inteiro e, por isso, dedicaram-se sobretudo àquele tipo de adivinhação chamado astrologia. Não só no Médio Oriente, mas também no Extremo Oriente e nas civilizações inca, maia e mexicana, os planetas visíveis a olho nu – Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno – foram considerados Deuses influentes.
Os astrónomos e astrólogos observaram o modo estranho como os planetas se comportavam. Ás vezes hesitavam, ás vezes pareciam mover-se para trás, ás vezes encontravam-se e depois separavam-se – e começaram a criar uma teoria com base nesses movimentos, bem como nos misteriosos e assustadores eclipses do Sol e da Lua.
Os primeiros astrólogos viveram no século VII a. C. , nos reinados de Sarandon da Babilónia e do seu sucessor Assurbanipal. Astrólogos como Akkullanu, Balasi e Nabuaheriba trabalharam em quartos anexos ao Templo de EA ( o deus dos oráculos) e aconselharam os reis. A sua importância era enorme e o Rei não dava nenhum passo importante sem o conselho dos seus astrólogos.
Um breve resumo da astrologia ao longo dos tempos por tópicos
- O Antigo Egipto é muitas vezes considerado o berço da astrologia. De facto, havia nessa cultura uma obsessão pelos céus que abriu a porta ao estudo dos planetas, mas são os textos de Ptolomeu e de Valens de Antioquia que contêm pontos-chave da astrologia e que continuam a constituir uma inspiração e fonte de material para os astrólogos de hoje.
- No final do século III a.C. , os romanos começaram a interessar-se pela literatura e pelo teatro gregos. Inevitavelmente, a preocupação dos gregos com a astrologia começou a atrair os escritores romanos e ela foi adoptada por muitos imperadores como forma de reforçar a sua grandiosidade e de prevenir possíveis conluios contra eles.
- A cristandade e a astrologia têm sido estranhas companheiras. Inicialmente, havia pouca desarmonia, mas com o tempo, as divisões tornaram-se mais antagónicas, ou seja havia mesmo hostilidade. Contudo, em momentos e locais em que se poderia esperar que a hostilidade estivesse no auge, a Cristandade mostrou pouco desejo de inimizade e, em vez disso, revelou-se curiosa sobre o assunto.
- Os primeiros Cristãos não abdicavam da ideia de que os três reis magos foram conduzidos até Belém, ao Menino jesus, por uma estrela ( provavelmente uma conjugação tripla de Júpiter, Saturno e Úrano). De facto, certamente os primeiros Cristãos achariam muito provável que o nascimento do filho de Deus fosse assinalado nos céus.
- Existiram sempre grandes defensores da astrologia mas a época de perseguição que começou em 358 d.C., essa, não deixou de acontecer por parte dos romanos cristãos que os condenavam á morte acusando-os de algo equivalente a bruxaria, mantendo-os á parte de uma ciência explicada, embora a ciência a certa altura também fosse considerada um certo antagonismo da fe cristã e á parte da própria fé cristã, ao contrário dos muçulmanos, pois os islâmicos encontravam no Alcorão a justificação para o estudo da astrologia enquanto instrumento da vontade de Deus.
- Segundo os historiadores , o período que vai, aproximadamente , desde o início do século XI ao final do século XIII foi particularmente negro para a astrologia. De facto, diz-se que quase deixou de ser usada no Ocidente. Mas não é bem verdade, sobretudo no campo da astrologia médica. Entretanto devido à influência de fontes islâmicas a astrologia regressou ao ocidente.
- Na Europa renascentista: À medida que a ciência fez novas descobertas e desenvolveu as suas leis do Universo, a astrologia tornou-se mais polémica e acabou por haver uma divisão entre os estudos da astronomia e da astrologia.
- Apesar da popularidade dos almanaques, que tinham vários mapas e dados relativos ao movimento dos planetas e a outros eventos astronómicos , a astrologia tinha uma baixa reputação académica no início do século XVIII. Contudo, no final do século, já tinha reafirmado o seu prestígio profissional, ao desenvolver-se entre os círculos académicos da Grã-Bretanha e dos EUA.
- O século XX: Durante a primeira metade do século XX, a astrologia saiu das revistas especializadas para os jornais diários. Mas o consumo generalizado de horóscopos não fez diminuir o interesse de respeitáveis filósofos, políticos e cientistas e, no final do século, realizaram-se muitas investigações importantes e pequenas revistinhas sobre astrologia continuariam a persistir.
Bibliografia ” A história da astrologia ”
” Astrologia e os tempos”