Gostava de calcular os parâmetros da felicidade e da consciência. Perceber quais são os limites de muita gente e também perceber os meus próprios limites. Para um bem estar harmonioso e equilibrado. Eu por exemplo gosto do mar, gosto de beber um café na rua ou fumar um cigarro no quintal da minha avó e às vezes sou mesmo feliz assim, numa solidão inquieta e profunda magnetizada pela aparente ilusão daquilo que foi e do que poderá ser. Uma inquietude do frio e do distante. Um olhar sobre o horizonte sobre o futuro camuflado pelas cores do desinteresse ou do desprezo. Porque eu desprezo, ainda que de forma um pouco superficial tudo o que já não me faz falta eu desprezo tudo o que me soube dizer um não absoluto e quase tangível na mediocridade humana. O futuro é o que tiver de ser não preciso de pensar nisso agora. E como o futuro pode ser desprezado só interessa o presente.
É estranho esta realidade me fundir na omnipresença da felicidade sobretudo quando desprezo o que está por vir com um misto de esperança na qual sou obrigada a me agarrar pra ter onde me agarrar. Esses contornos ou rivalidade entre um eu e outro pode acabar por beneficiar ou repelir tudo o que se encontra nesse plano da realidade nessa dimensão de estrutura temporal. A sisuda empatia do confronto que pergunta porquê? Porquê que tem de ser assim? Num desespero de ânimo acelerado que me sintetiza os nutrientes da fantasia. A qual tem por fim na minha mente um desfecho mais melancólico ou luminoso. Só pra não fugir. Serei sempre um ser sorridente e feliz? Eu bem quero beneficiar os momentos subtis de devaneio romântico mas há um problema; eu percorro todo um vasto terreno onde não sei onde estão as plantas mais venenosas e encontro pântanos que desconheço a profundidade. Ao calcular os parâmetros da consciência poderei entrar numa bolha positiva ou menos positiva dependendo do contexto da mente e só conscientemente saberei se estou a fazer um bom trabalho. Contextualizar medidas para a felicidade é contudo a intenção sem propor a mentira isto é, sem dizer não, está tudo bem não fiquei magoada não me custou nada. Então pretendo que as cores que venham a camuflar o olhar sobre o meu futuro sejam as cores do desprezo porque não quero continuar a ser vitima da sociedade, de mim e de questões morais e e de defensoras humanísticas.