Espremida como uma laranja

São silêncios comprometidos a vibrar sentimentos contidos que se expandem e se escondem da razão. O que espero são os meus pés no chão sentir cada pedra e um olhar no tumulto da esperança o verde das folhas cores garridas a dançar à velocidade do vento. Olhei para dentro, esperei, esperei, calei e olhei para dentro.

O meu choro se converte em lágrimas felizes, um choro que alcança a felicidade contida. Num momento faço-te chegar e ao parar percebo a importância. A importância das vontades, as realidades e as certezas que continuam na dúvida. Nunca sei para onde ir e é nessa percepção de consciência da incerteza que não falha que me marca o passo em cada buraco que me faz cair. Vou libertar surgir perante mim, e ao perceber que sim eu chego-me para mim.

Nesse tempo onde os caminhos parecem fugir e eu sinto que o frio é munição para a aprendizagem escrevo-te um sorriso olhando para dentro de mim sempre olhando para dentro de mim a cada passagem olhando para dentro de mim percebendo algo de fora algo externo e completamente repreensível que a cada encontro revelo e repreendo. Escrevo a paciência, escrevo a loucura escrevo a verdade a liberdade ou até a mentira porque o que eu sou é um fantasma a contracenar num teatro do inferno. Ando às voltas lembro-me do princípio e do fim chego ao meio e grito eu estou aqui! Não me veem? Eu estou aqui! As palavras para quê se eu estou aqui? Será a liberdade o fim? Será a liberdade o fim?

Provoco a cena do incerto, isto é diferente, no meu cenário altruísta e construído à medida das minhas soluções. Mas as soluções não são para mim, são para os outros. E eu invento , eu canto eu faço eu crio e eu contruo à medida das minhas soluções que não me solucionam nada. Mas eu digo. E então pra quê subscrever as atitudes ideais e os comportamentos compreendidos? Eu sei eu só vou quando quero, eu sei, eu fico porque quero e porque não quero saber, mas, eu vou eu quero ir eu sei nascer. Sei liberar conteúdo na cena do improvável e na construção pacifiquista e odiar o óbvio das relações desumanas e hostis. É talvez por isso que fico. É firmeza, é certeza daquilo que sei. E espremida como uma laranja continuo a dança das palavras como um pavão descontrolado e porque gosto do que faço. Nalguma certeza daquilo que sei.

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