Só nestes dias que me sinto só e desconexa sei apreciar o vazio que existe em mim. Consigo embora a deambular entre palavras soltas sentir a frieza das próprias palavras assim como dos outros. Não acompanho essa pertinência tão singular e tão pouco próspera não permito esvaziar o quente e o bom que há em mim. Mas saber apreciar o vazio tem o seu status quo.
Longe de várias medidas sociais encontra-se o tédio mas também alguma auto realização. A realidade é sempre outra. Não é de estranhar que toda a singularidade especial seja proveniente de uma individualização muito própria e muito solitária. É conveniente realizar actos de produtividade em várias áreas no encaminhamento de uma auto realização que só nos acrescenta e se for mesmo sempre assim se só nos acrescentar a nós e à cultura é uma mais valia. Embora desviada ou desconexa como preferirem a emoção que sinto é de uma magnitude celestial, é como se estivesse na paz dos meus sentidos. O amor prevalece sempre em quase todas as ocasiões mesmo nos dias de maiores loucuras e atrocidades que se percepcionam. Eu sou assim, quando estou só sou como sou não me permito esvaziar de conteúdo pessoal com base nas minhas experiências e deixo-me à solta em vários sentidos vagueando perpetuando uma realidade. Às vezes a lutar outras vezes a olhar para esse horizonte tão proeminente cheio de certezas absolutas que me chateia. Faço o que tiver de ser feito digo já. Não me vou perder em ilusões só em mistérios convergidos à realidade. Ou alguma realidade que se sobrepõe. Tudo o que agente faz é real suponho. Chego por fim a perceber a estrutura desse sistema e quem sabe não me encontre onde se quer. Proponho um quotidiano mais livre para todos e sei que ser feliz exige isso mesmo. Ser livre é ser uma realidade propensa à felicidade. Não se esqueçam. Eu vou tentar não me esquecer.
O vazio é um lugar frio e a falta de liberdade é um lugar feito de pedra impenetrável sem chave para sair nem para entrar caso queiras voltar. Porquê que às vezes me custa sair e outras me custa entrar?
Olho para os meus cabelos brancos dou uma espreitadela ao espelho nas minhas rugas de expressão e percepciono toda a insanidade que há em mim e digo espera para onde é que eu vou o que querem que eu faça a partir daqui? É nesta realidade que eu caio em mim e com toda a razão.