A noite

Neste sítio a noite remete para o silêncio. É a noite que me diz que é o fim de algo, sei que é o fim de um dia, mas é mais do que isso. É sempre o fim de alguma coisa mais preciosa, talvez seja isso mesmo… de um tempo… de um momento. A noite é fria mesmo no verão porque os momentos seguintes estão sempre congelados. É como se estivesse com uma picareta a furar o gelo para poder entrar nos momentos futuros e nunca entro. Estou sempre no presente, ou de volta ao passado. Um futuro que nunca vejo. As circunstâncias que fazem perder a noção do que significa viver de verdade. Com o propósito de um futuro. Acordo, e é sempre o mesmo dia. Por mais que as temperaturas se alterem, por mais que os dados meteorológicos sejam de uma luta sem fim de diversas mudanças. O futuro nunca chega, estou sempre no mesmo sítio, no tempo e no espaço. Estou sempre na mesma circunstância, no tempo e no espaço. Perco a noção, do tempo e do espaço. Imponho a condição a mim mesma de acreditar no futuro todos os dias mas porquê? não faz sentido, na maior parte das vezes e estou perdida no tempo e no espaço. Deixei de contar as horas, simplesmente durmo ou acordo quando tenho sono e quando tenho vontade de acordar, mas felizmente não está neste momento a fugir aos parâmetros instituídos para a organização da sociedade no quotidiano.

A noite parece um tanto perigosa, mas já nem faz sentido ou até porque faz o sentido de ser nada. Divagação e chatice ou grande seca para alguns mas é a poesia que me faz querer ser mais é a poesia que vejo reflectida no espelho, sofrida e comprometida. É a poesia ainda que não rime e não possue versos cantados e contados que me diz que a noite é apenas uma parte do dia que é escura e vazia sem sentimentos, congelada, fria. Quase um nirvana para anunciar o fim de mais outro dia.

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