O ser humano é naturalmente resistente à mudança. Em geral sentimo-nos seguros e confortáveis com os nossos velhos hábitos e rotinas diárias, sentimo-nos desconfortáveis com a imprevisibilidade desencadeada pela mudança. Todos gostamos de saber com o que contar, o que podemos esperar em cada situação. A mudança causa sempre algum mal-estar e acarreta um processo de adaptação, que pode ser mais ou menos fácil, dependendo de a mudança ser menor ou maior.
Estes processos adaptativos podem revelar-se de tal forma difíceis, que chegamos a adoecer quando temos de lidar com uma grande mudança, seja em que área da vida for.
Assim sendo, o que mais frequentemente acontece é o que grande parte das mudanças não são planeadas : as pessoas são empurradas para a mudança pelas circunstâncias de vida que atravessam, ou seja, acabam por ser obrigadas a mudar quando os antigos modos de funcionamento e comportamento já não funcionam e as situações se tornaram insustentáveis ou insuportáveis.
Quando o emprego é tão stressante, que começa a afetar a saúde desencadeando sintomas psicossomáticos, como úlceras, enxaquecas, pensamos que talvez fosse boa ideia arranjar outro emprego. Quando as relações pessoais são conflituosas e causam tristeza e insatisfação, pensamos que é preciso mudar alguma coisa. Quando a comida de plástico que ingerimos diariamente nos começa a dar dores de barriga, lembramo-nos de que talvez fosse bom mudar os hábitos alimentares. Ou seja, é apenas quando tomamos consciência de que algo não está a correr bem que pensamos que talvez seja necessária uma mudança. A grande questão é que tomar consciência de que é necessário mudar não implica que tenhamos vontade de mudar ou coragem para partir rumo ao desconhecido.
A verdade é que quando estamos insatisfeitos com alguma parte da nossa vida e procuramos mudar, encontramos sempre alguns obstáculos, de ordem interna e externa.
De facto, a primeira resistência à mudança vem do nosso interior. Primeiro esbarramos com os nossos medos, crenças limitadoras, pensamentos de incapacidade. Depois deparamo-nos com a resistência das pessoas mais próximas. Temos de nos lembrar de que, provavelmente, para elas estava tudo bem anteriormente e portanto não havia nada a mudar. Como é natural agarram-se aos velhos hábitos e tentam inconscientemente puxar-nos para a nossa maneira antiga de funcionar. Esta é uma reação natural, pois, como já sabemos, as pessoas gostam de hábitos e de previsibilidade.
O que fazer então, mudar ou não mudar?
A verdade é que, como diz o ditado popular, não vale a pena remar contra a maré.
Por vezes a mudança é inevitável. As coisas mudam, às vezes para melhor, outras vezes para pior. A única coisa a fazer é aceitar a mudança.
Imagine que quer atravessar um rio a nado. É muito difícil nadar fazendo uma linha paralela à água, pois a corrente vai puxá-lo no sentido da foz do rio. Se insistir em contrariar a corrente com o objectivo de fazer uma travessia que é uma linha paralela perfeita, vai gastar energia desnecessariamente, vai-se cansar e talvez não tenha força para chegar à outra margem. Mas imagine que se deixa ir com a corrente, dando as suas braçadas, não oferecendo resistência…acabará por atravessar o rio na diagonal, chegando à outra margem uns metros a jusante do local de entrada, conseguindo o seu objectivo: atravessar o rio.
A mudança é como se fosse a corrente do rio; podemos opor-lhe resistência, lutar contra ela, correndo o risco de nos afogarmos, ou podemos deixar-nos ir com a corrente e tornar o processo mais fácil. A verdade é que não vale a pena lutar contra a corrente, temos de aceitar a mudança.
A vida tem os seus próprios ciclos, os seus altos e baixos. Tudo flui e reflui. Por vezes parece que está tudo a correr às mil maravilhas e de repente acontece algo que nos puxa para baixo: adoecemos, ou perdemos o emprego, ou perdemos uma pessoa querida….
Outras vezes parece que vai tudo mal e encontramos um velho amigo que nos dá força, ou cai-nos uma oportunidade profissional do céu. Será que vale a pena lutar contra o fluxo natural das coisas? Ou é uma forma de gastar energia inutilmente?
Por vezes a necessidade de mudança faz-se anunciar através de sinais. Se estivermos atentos, vamos aprendendo a identificá-los. Por exemplo, imagine que vive numa casa onde de repente começa tudo a avariar: os canos entopem, as persianas partem-se, o exaustor deixa de funcionar…Pode escolher adoptar uma atitude de vítima e pensar « tudo me acontece, não tenho sorte nenhuma», ou estar atento e pensar : « Isto será um sinal para eu mudar de casa? Será que é aqui que devo estar ?»
Imagine que está num emprego onde começa a ter todo o tipo de problemas: grandes atritos com os colegas sem razões que o justifiquem, chefes com exigências sobre-humanas, salários baixos e em atraso. Pode concentrar-se no problema ou estar atento e pensar « Isto será um sinal? O que é que tudo isto me quer dizer? Será que devia tentar procurar trabalho noutro sítio?»
No Mundo há coisas boas e más. Há até coisas aparentemente más que acabam por se transformar em coisas boas. Por vezes as coisas más acontecem para nos transmitir sinais.
Esteja atento aos avisos que recebe. Pense no porquê. Por vezes as coisas complicadas e difíceis de gerir são alertas. Com frequência surgem sinais para nos afastarmos de uma situação, e nós insistimos em ignorá-los, até que algo acaba por correr mal. Costumo dizer que quando as coisas são muito difíceis e complicadas não vale a pena insistir muito, pois não vai correr bem, só servirá para perdermos tempo e energia. Acima de tudo temos de ter fé e acreditar que se as coisas não correm bem hoje, irão correr melhor amanhã ou depois.
A estação do fracasso é a melhor época para plantar as sementes do sucesso.
PARAMAHANSA YOGANANDA
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