Acordo com a cabeça pesada e sinto que andar é tão duro como se estivesse a carregar uma pedra enorme em cima da cabeça. Como se tivesse levado porrada. Os minutos passam bebo um café e a coisa melhora. O sofrimento tem sido contínuo com espaços intercalados de paz e de alívio. Se hoje estivesses livre de contratempos e contrariedades o que quererias ser? Onde querias estar? Pergunto a mim própria com uma lucidez franca aquela lucidez que me chama à razão sobre o meu ambiente e as pessoas envolvidas nele. Bem, antes de mais, a saúde está em primeiro lugar. Penso que quereria que existisse um cuidado preocupado e verdadeiro com a sanidade das pessoas com quem lido porque para aquilo que é insano a minha insanidade já me basta. E para quê piorar uma coisa que já é penosa ou dolorosa? Os dias são tranquilos quando estou sozinha e isso faz-me ter a certeza que o meu juízo ainda está moldado àquilo que é considerado normal e apenas criativo. Essa certeza é quase fixa mas altera-se quando duvido de mim própria e tenho crenças de fazer ressuscitar um morto. É apenas mais um dia com uma depressão daquelas que não sei se é melhor lingerie ou um saco de batatas que não sei se estou viva ou morta que tenho ataques de pânico e que o café se entorna na cama quando o gato resolve dar um salto em cima de mim. É apenas mais um dia em que a cama é o meu lugar. Estar presa é o meu lugar, sozinha também. Não tenho sofá mesmo que tenha não uso o sofá não é meu e há salas que pertencem a outras pessoas. A cama é o meu lugar. A toda a hora. É mais um dia em que eu faço uma introspecção e acredito na maldade. Acredito que haja quem queira prejudicar com intenção.
Prendo o meu olhar na minha agenda imagino como poderia ser daqui a 5 ou 10 anos. É tudo tão incerto. Na cama onde me deito existe um lençol que está sempre a se soltar do colchão todos os dias. Todos os dias tenho de ajeitar o lençol ao colchão é como se alguém me dissesse vais aprender o que é ter de fazer a cama todos os dias. Acontece com todos os lençóis não há um único que fique preso debaixo do colchão. É bastante curioso. Mas…é apenas mais um dia. Mais um dia que agradeço mais um dia que estou viva e mais um dia onde oportunidades vão aparecendo e eu tenho de me moldar à realidade sobretudo à actualidade. Está a ser difícil.
Apenas mais um dia, mais uma segunda-feira um dia simples, um texto simples, uma coisa leve, uma resolução para a semana e toda uma vida ainda pela frente, com a cabeça pesada.