A névoa

Eu conto esta história com um misto de incredulidade e de impaciência. Os meus olhos fecham-se mitigando qualquer caminho. Tamanha a lógica da conclusão. De cada vez o silêncio é crente e a narrativa quer desvendar um bocadinho mais em cada texto. Submeto-me à criação recorrendo a uma sistémica síntese parcialmente desvendada. Um bocadinho de cada vez onde se pode criar uma realidade holística no fim. Uma realidade que é uma versão, é a minha versão. Uma realidade que não é fantasiosa porque a minha afirmação é a minha realidade. Escolho as palavras que se adequam conquisto cada hipótese de revelação numa estrutura implícita e submersa. Como peças de puzzle embutidas em névoa. É me imperativo criar névoa. É me imperativo criar uma outra versão de ficção no meio dos espaços. Para atenuar a mente e o sujeito.

Contrariamente àquilo que se pensa a história não se baseia em conteúdos oprimidos embora seja de uma relevância substancial ao longo destes anos todos oprimir e ocultar perante o misterioso occipital colectivo a insanidade dos aspectos e da condição. Uma realidade dos sentidos e da percepção. O contraste entre as edificações exuberantes e excessivas. O confronto de justiças e injustiças, julgamentos e de ideais subjacentes. A materialidade dos acontecimentos e das realizações. A mentira e a escala da própria negatividade assim como a formalidade contributiva da desventura. Minto se disser que estou pronta para isto. Não possuo estrutura psicológica para o que quero transmitir da forma como quero transmitir. A névoa às vezes desaparece. E fica algo inusitado de crença vigilante e submissa a factos.

Não proponho a objecção a elementos figurativos como é óbvio. A supremacia dos mesmos não me desclassifica mesmo que tenham conteúdos específicos. Outros protagonismos só vêm dar mais relevo e substância. A queda é uma forma de aprender a desenvolver estratégias para me levantar continuamente. A luz do outro só me poderá iluminar. Quando há luz, ilumina. Apesar de algumas conclusões. O tempo me diz que hoje é um bom dia para pensar no que quero continuar a fazer. Se é que este rio já não desaguou no mar.

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