Chão

Parecia. O mundo desabou. É o completo chão. Numa viagem interplanetária sou feliz onde as palavras não magoam e não destroem.
Eu vou pelos silêncios das calçadas onde um dia me subtraíram. Irei facultar-me a resposta que procuro. Só o silêncio diz tudo, diz quanto me transformei em nada quando na realidade me transfiguro em breves momentos na voz daquilo que era pra ser. Era puro o inicio do caminho. A música começava, era a clave de sol acompanhada da clave de fá. Tantas outras músicas começaram e ficaram-se pelas primeiras notas. Sempre uma clave de sol e uma clave fá, que no encontro com uma semifusa, entre colcheias, esse compasso foi abruptamente interrompido. Uma apogiatura. E a apogiatura cria um efeito de suspensão ou tensão antes da resolução da nota. Nunca se pode perder os manuais de vista. A teoria musical ainda é um castelo eu sou o burro.
Virei dona de mim mesma como se coubesse nos ombros e na cabeça o peso de algo que nunca saberei explicar se o fizer podem-me considerar uma Einstein.
Onde está em mim o realismo o cubismo e o abstrato? Isto é apenas realidade com nuances de freakealismo.
Caberão nas tintas os sentimentos capazes de moldar uma pintura ao nível do que considero natural em mim? Umas telas, um dicionário, uma série de livros, um piano, um Mundo todo aqui dentro são exemplos da minha tentativa de partir a céu aberto com passagem directa para as estações de comboios mais conceituadas através da minha janela, na qual, vejo o óbvio, através do que tenho aqui, vejo o que era possível de concretizar.
A frescura com que te revelam é uma mistura entre eu te amo e eu gosto muito de mim pra estar a aturar este tédio. E revelam algo escandaloso que passa do insípido que pede um cigarro ao beltrano que bebe café e só se queixa e deixa de ser a pessoa.
Pondero assimilar cada detalhe de tamanha prepotência como um novelo de lã que se enrola e desenrola. E poderei ficar muito doente.

 

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