Ele foi embora

Ele foi embora. Talvez alguma coisa tenha sido a gota de água. A tortura imediata das sensações ou que no muito se descrevem irreais e submersivas. É tudo tão indirecto, controverso e realmente mesmo querendo mudar de direcção não me apercebi que tudo o que eu queria estava ali. Por isso procurava naquele sítio o que eu sei que sempre aparecia de uma forma ou de outra. Uma busca insaciável por conexão. A pessoa, o estilo, a cor, a calma, a quietude, a sapiência, a elegância, a eloquência. Bom demais para ser verdade. Como é que eu pude ignorar os sinais de não haver sinais de reciprocidade a não ser talvez a meu ver na minha imaginação no meu coração quente e partido. Suspirei… abria a mente e a minha verdade conseguindo sempre uma realização do impossível. Uma simples frase, um anúncio, um desabafo tudo era motivo para enriquecer o meu portefólio dos sentidos. Ele foi mesmo embora. Aquilo era tudo esperança. Esperança essa simbiose de emoções. O aspecto mais contraditório nessa simplicidade de um amor platónico era a perfeição da interatividade espelhada no irracional naquilo que complica porque é verdadeiro. Porque se vai transformando em verdadeiro.

O sentido que procuro de forma sustentável é o verdadeiro e nada me parecia mais real e subjugado ao sentimento profundo e uma espécie de catarse. Eu preciso de palavras as palavras me sustentam as palavras me mencionam as palavras dirigem o significado e a metamorfose das origens. As palavras puxam pelo amor, puxam pelo texto e silenciam. As palavras são dotadas de elevação intelectual. As palavras não consentem, as palavras explicam. A olhar para alguém que simplesmente não olha pra gente? A olhar sim com palavras que fogem às diretrizes da normalidade e silenciam em lágrimas. Com um olhar cintilante em lágrimas. Porquê que tu não? Sei lá deixa-me chorar.

 

 

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