Imaginei-me com uma mala na mão umas botas e fui à luta e era livre estava segura porque o Mundo era perfeito.
Imaginei-me com um top preto umas calças da adidas e a ler Nietzsche ou Dostoiévski e todos aqueles pensadores e filósofos profundos que transmutam a percepção para ideologias quase perfeitas e intelectuais que nos permitem a sensação de sermos inteligentes e perfeitos. Não quero concordar com Nietzsche e tenho dúvidas sobre Dostoiévski apenas quero compreender para opinar.
Imaginei-me um amor supremo, gosto de histórias de amores supremos mas como me assustam como se não deixassem alternativa senão morrer. Tenho saudades da liberdade que me confere ser amada. Tenho a sensação que a distorção da realidade é uma alternativa à realidade peculiar e estranha e ser amada é uma realidade multidimensional na qual me ausento na maior parte das vezes. Eu estranho tudo à minha volta e tenho necessidade de explicar e de converter sensações em realidades efectivas.
A magia de uma folha em branco a magia de uma partitura que tira música do papel converte em melodia caracteres tão dogmáticos e impressionantes. Um perfume que me eleva os sentidos ao cume da beleza de um ambiente, uma cor que me enfeita a cara, uma substância de um adjectivo e de um verbo uma afirmação positiva e paciente enfim uma sintaxe em harmonia ou dissonante que faz parte daquilo que somos daquilo a que chamamos vida. Uma história pertinente um continuar ao vento. Esse sopro do vento esse quente do sol. Essa estrutura da natureza agitada o sussurrar de vozes apaixonadas a coragem e o medo maleável.
Ia-me embora de barco situava-me num oceano vasto de desinibições, talentos escondidos e medos um oceano Rei da minha condição o oceano ali e eu submissa. Continuaria a velejar com o olhar preso na beleza daquele fio fino onde tudo termina e começa e com a liberdade no meu corpo numa verdade perpétua. Depois de ter saído com uma mala na mão e umas botas.