Gosto de ficar parada a olhar para o infinito. Parada. Eu gosto. Gosto de ficar no vazio do silêncio como se esse silêncio fosse conexão. Gosto dessa liberdade de poder só estar porque me apetece e porque fui torturada. Gosto da ilusão aparente de alguma coisa e de nada. Eu gosto. Gosto dos galhos das árvores que me entram pela janela adentro. Gosto do deserto? Sim. Eu gosto, do mar e das gaivotas? não sei do que estou a falar. Gosto de um quarto com janela para o jardim gosto de dois gatos. Gosto de sensações e de movimentos. Ainda gosto. O café quentinho e uma tigela de cereais a liberdade de escolha o sermos pouco ou sermos mais. Eu gosto. Gosto com verdade, com amor, gosto de palavra, e do sabor, gosto de ter e de ser apaixonar-me e aprender. Gosto de ficar, compreender, gosto de andar e gosto de correr, amar sem fingir e ter para onde fugir mas gosto do mar, os olhos arregalar, gosto da pureza da lealdade, gosto de nobreza, de beleza e fealdade. Gosto de falar, gosto de tranquilidade, da quietude e gosto de chorar.